terça-feira, novembro 28, 2006

O menino e as flores

e, de tanto em meio às flores, acabou por se tornar indistingüível entre delas...

segunda-feira, novembro 20, 2006

A solidão

À força deste silêncio em que tu te guardas,
venho bater à porta
pra recordar-te de que somos, juntos,
apenas dois...
e esta abstinência de palavras,
na qual te submeteste
como quem, cego,
deixa pôr as mãos nas brasas
pra buscar um aquecimento
nunca dantes conhecido,
vem lenta e gradativamente
espoliando-me o espírito,
com o poderio de algo
que não se manifesta,
à parte o desprezo que se intui
quando não se profere
um dizer,
e apenas cala num rumor surdo
e áspero.
Teu silêncio,
meu caro,
é um poema no qual te irrigas
e te emproas,
enquanto eu,
visto cá de lado,
sinto-me só
em tua ausência.
E incapaz e frágil,
como se sobre mim despejassem
toda abastada gama
de tormentos.
Mas assim quieto
vislumbro-te,
na esperança de fazer do teu
meu pensamento.
E não há palavras que se digam,
eu que as tanto amo,
amenizadoras do que carregas contigo
pois essa solidão que buscas
está além do meu olhar amigo.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Conjunção

Carrego o colo fagueiro e limpo
no qual pretendo repousar teu rosto
e tuas antecipações.
Ao retoque desta tua maquiagem
observo,
silencioso e passageiro,
os movimentos vagarosos e precisos
de tuas mãos.
Atenho-me a mim
como quem se vela,
e com as tuas produzo em ti
os toques que não posso,
como se no instante
fôssemos eu apenas tu.
E ali, em estado promíscuo,
não somos mais que uma aquém-razão
sem nenhum sentido físico,
desfrutando apenas de mútua companhia
silenciosa,
na qual sem medo,
deixo teu corpo se atar ao meu,
em segredo.

domingo, novembro 05, 2006

Sobre a liberdade das palavras e a minha própria

Estou fisicamente cansado. Não além, também mentalmente. Essa estafa a que meu todo se comprometeu (digo comprometimento por razões puramente optativas) vem causando certa angústia interna, o que poeria ser comum a considerar o indivíduo instável que sou; porém, estou assustado! Jamais experimentei tal estado de apraxia apoplética até os presentes dias. Esta coisa funciona como um aríete ao contrário que, na sua função destrutiva, soergue muros aos redores, impedindo sequer estreita passagem de pensamento. E assim subconscientemente vai-se esparsando minha estrutura emocional interna e sigo (como redestruindo tudo o que o aríete às avessas pôs abaixo) fazendo coleções de palavras:

- frenesi, frenético, feérico, festim, fatídico, factual, áptero, instinto, estugo, estrago, esmero, estirpe, extorque, expele, expurga, comunga, ausculta, comisera, austero, infeliz, rude...

como se em algum momento fossem todas correr de mim, procuro repeti-las e defini-las em mente: cá estão como eu para a vida! Detentas de meus próprios labirintos. E já não reparo que mantenho-as prisioneiras de uma estrutura cristalizada, como tenho feito comigo em vida. Maldito cadafalso interno que pus como alçapão para as idéias! Agora precisam nascer mediante o consenso do racional!

A integral de uma função limitada em algum intervalo pode ser repartida em duas de forma que a soma destas conserve a totalidade. Veio-me agora à cabeça. Assim como o fato de que a integral significa todo, porção completa de algo que se considera. As palavras residem em mim inquietas, sobre o pretexto da excrescência e tenho muito medo de não consierá-las tão abstratas e livres como verdadeiramente são...

sábado, novembro 04, 2006

O homem como representação

A questão da vida está na representação de algo: palavras, signos, expressões de corpo. Sabido é o homem que se dá por isso.